sábado, 1 de novembro de 2008

A leveza do vento azul

A leveza do vento azul.
Desperto com os primeiros raios de sol invadindo o meu quarto. Abro a janela e sinto a leveza do vento azul. O vento de todas as minhas manhãs que leva os meus pensamentos á Deus numa prece de gratidão pelo dia que se incia e volta suavemente e se esconde no meu sorriso. Depois, numa leveza que me encanta, faz uma seleção dos meus melhores pensamentos e vai de cidade em cidade, de casa em casa, e deposita nos corações dos meus amigos a minha amizade e ainda os beija docemente nos cabelos.Ao retornar, ajuda um filhotinho de beija-flor colocando-lhe o nectar de uma linda rosa perfumada bem pertinho de seu bico.
Sabendo que eu amo a chuva desvia-se do caminho e vai conversar com as nuvens e as convencem a se unirem pra satisfazerem a sua dona - Ah, esqueci de falar que ele me sente como dona e tem prazer em me ver feliz - e por uns minutos mágicos as águas descem do céu. Coloco minhas mãos em conchas, seguro os pingos e lavo o rosto.Sinto a felicidade escondida dentro de mim quando ele sussurra levemente nos meus ouvidos pedindo permissão para virar as páginas do livro que estou lendo. Sorrio. Ele brinca com os meu cabelos jogando-os sobre os meus olhos. Ao tentar tirar meus cabelos dos olhos ele levemente vira cinco páginas do livro, me perco na história, sinto-o sorrir de sua doce implicância.Volto á leitura e dessa vez finjo que não percebo a sua peraltice. Ele descansa sob a almofada e tenho a impresão que dorme. Hora de sair para resolver meus compromissos. Ao escutar o barulho do chuveiro e sentindo o meu perfume ele desperta e se mistura ao meu celular, as chaves, o livro, a carteira e se esconde num cantinho da minha bolsa. Menino levado, docemente levado com medo de ficar sozinho em casa. Ele nega, diz que não consegue ficar muito longe mim, que preciso de sua leveza, concordo.
Pegamos o ônibus superlotado, as pessoas suam, ele sopra levemente o meu rosto e como se fosse um lenço umedecido desfaz o suor que insistia em escorrer pelo meu rosto. Um lugar bem na janela fica vago, sento-me e ele descansa nos meus ombros olhando a paisagem.
Já se fez noite quando chegamos em casa. Noite de lua cheia e novamente meu vento de leveza azul vai aos céus e afasta as nuvens e minha lua aparece linda, iluminando a minha casa.

2 comentários:

Zélia Maria Freire disse...

Essa sua intimidade com o vento é tão poético, que ele teria que ser azul para poder haver o entrelaçamento entre a sua suavidade e a brandura de uma brisa que sopra, não para formal vendavais, mas para brincar consigo viranda as páginas do seu livro. Um beijo.

sementes diárias disse...

Simplesmente maravilhoso! Um vento assim, que brinca, faz molecagens e ainda afasta as nuvens pra iluminar a casa, quem não quer na vida? Lindo! Um beijo,Chica