domingo, 1 de janeiro de 2012

Chuva abençoada.

Há seis meses, depois de muitas idas e vindas, tiveram uma longa e amigável conversa.
Seriam apenas bons amigos. Pais que amavam seus filhos e precisavam ter uma boa convivência.
O amor dera lugar ao carinho e a amizade e, mesmo diante de momentos de sedução, cada um mantinha a postura combinada.
Ela estava em tratamento para curar a depressão e seus altos e baixos deixavam-no preocupado.
Resolveu visitá-la sem avisar.
- Como você está hoje? Dormiu bem?
-Confusa. Hoje , pela manhã, desejei ter vinte anos,sair de casa, conhecer novos lugares. Agora queria ser uma senhorinha bem idosa sem compromissos com nada,vivendo calmamente as lembranças. O sono anda fugindo mas falei com o médico e ele trocou a medicação. Segunda irei pegar a receita.
Ele viu o olhar triste dela, a voz embargada, sentou-se ao seu lado, ela deitou a cabeça em suas pernas e ficaram um longo momento em silêncio.
Ele sabia que a vida e a morte duelavam dentro dela.
Puxou levemente a cortina - chovia lá fora. Teve uma idéia.
- Vamos dar uma volta por aí? Quer ir ao cinema?
Com os olhos brilhando ela respondeu:
- Você na gosta da chuva e eu amo ouvir os pingos batendo na janela.
- Na volta você faz isso. A meteorologia previu chuva para todo o final de semana.
 Dentro do carro e no cinema não chovem. Vá se trocar, eu espero .
Quarenta e cinco minutos depois estavam dentro do carro. Pegou o caminho da praia alegando estar fugindo de um possível engarrafamento.
Ela ia admirando a paisagem, as primeiras floradas banhadas pela chuva fina e gostosa.
Não percebeu quando ele parou o carro em frente a um quiosque - a sessão espera por uma água de coco,vamos?
Desceram do carro, tomaram a água de coco e, de repente, ela dirigiu-se à areia. Ele a observava com carinho e atenção.
Tirou as sandálias e deixou -se molhar pela chuva que se fizera intensa.
Seu vestido ficou colado ao corpo.
Lagrimas misturavam-se às águas vindas do céu.
Emocionado ele olhava- a. Ela voltara a ser a menina alegre por quem se apaixonara e casara.
Desceu até a praia sem se incomodar com a chuva e a abraçou.Um longo abraço. Beijou- a no rosto, cabelos e de mãos dadas se encaminharam para o carro de volta para casa.

Amo a chuva ( sempre peço a Deus que ela molhe somente os campos, os vidros das janelas e jamais cause destruição)

Por isso - minha primeira postagem de 2012 é sobre a chuva que eu tanto amo.
Com carinho desejo um dia de paz.
Lu


Um comentário:

chica disse...

Aqui no RS ela está faltando.Temos cidades com racionamento de água... Que ela venha de mansinho onde é necessária! beijos,FELIZ| 2012! chica